Antes de continuar: eu não vou tecer comentários políticos. Não é que eu não tenha um posicionamento, é só que não tenho saco para discutir sobre política no país e atualmente ando com uma visão mais próxima de um certo xará meu que nasceu uns dez mil anos atrás (e também com a de um personagem desse livro).
Sinopse
Um ex-professor, ex-alcoólatra, ex-pai de família. Um homem atormentado pelo passado encontra num bilhete de loteria premiado a oportunidade de vingança que sempre almejou. Seu algoz? Ninguém menos que o Presidente da República.
Uma jornada arriscada onde uma prostituta suicida, um amigo sem memória, um advogado assassino e um traficante vaidoso embaralham os conceitos de certo e errado; onde a morte não é a última das consequências, mas, sim, o início de um longo caminho.
Afinal, como bem disse Shakespeare, é a tentativa, e não o ato, o que nos aniquila.
Estou tentando ler mais autores nacionais em 2022 para entender o mercado contemporâneo e os astros se alinharam de tal forma que o Thiago me presenteou com uma cópia do livro bem na época que estava selecionando os autores nacionais que queria ler. Acontece que li o livro tão rápido que sequer chegamos na metade do mês e já estou devorando em uma segunda leitura, embalado pelo ritmo de O Homem Que Matou o Presidente.
A narrativa é contada em primeira pessoa através de fitas gravadas por Otelo. A história começa com nosso protagonista indo comprar uma camiseta para o amigo Celembra num brechó. Acontece que a camiseta tinha “apenas” um bilhete premiado da Mega-Sena e isso muda tudo na vida do Otelo, para melhor e também para pior.
Sinto que a narrativa necessitava de mais profundidade sobre o passado dos personagens, especialmente o período onde Otelo participou dos Alcóolicos Anônimos ou sobre o processo de luto após a morte da esposa e do filho, mas entendo que o formato de narrativa através das fitas deixa toda essa ideia um pouco mais distante. A ideia de iniciar a narrativa falando que explodiu o presidente é genial. O leitor já sabe que isso aconteceu, mas continua devorando as páginas até o final com muita facilidade.
Li tudo em quatro dias de leitura. Foi fácil ler cinquenta páginas e olha que tenho sérios problemas com leituras mais longas. Sofri para ler A Morte do Adivinho e Death From a Top Hat, tanto que sequer cogitei trazer resenhas para cá. Preciso reler alguns trechos até me sentir confortável o suficiente para isso. O livro do Thiago, porém, é diferente. A leitura é fácil e fluida, mas a ação é constante.
Há horas que penso seriamente que o objetivo do Thiago com esse livro era criar algo que pudesse ser adaptado para o cinema. Era fácil fechar os olhos para imaginar os personagens e os cenários da narrativa. Aliás, confesso que conseguia imaginar a explosão, com pedaços de pessoas voando para o alto, em câmera lenta enquanto Frank Sinatra começava com o clássico “Fly me to the Moon”.
Recomendo fortemente a leitura desse livro, independente do gênero que você prefira.
The locked-room mystery has teased the minds of the mystery-reading public for a century, and then another half. Those cases of crimes committed in impossibly locked-and-sealed rooms, or murders in the middle of a patch of snow where the killer left no footprint, represent one of the prevailing sub-genres of the detective story. And for those readers who love the impossible crimes and undoable deeds, names like John Dickson Carr, Clayton Rawson, Edward D. Hoch, and Paul Halter immediately come to mind as beloved practitioners of the form. Today, however, we’re not talking about these maestros of murder.
We’re talking about the bottom of the barrel.
Not, necessarily, the worst stories, but those locked-room mysteries hidden far in the depths of obscurity, known only to Robert Adey himself and few dedicated readers. In this review series we’ll be taking a look at all of the hard-to-find, out-of-print, unanthologized, uncollected, rare…
Quando Soji Shimada publicou 占星術殺人事件 (algo como “Os Assassinatos da Astrologia”) lá no início dos anos 80 havia uma intenção de desafiar o estilo vigente de literatura policial conhecido como Escola Social, encabeçada por Seicho Matsumoto. O estilo de Matsumoto estava mais preocupado em criar uma literatura policial preocupada com a sociedade japonesa e os livros traziam críticas muito contundentes. Ele próprio dizia não gostar do estilo conhecido como honkaku, onde o foco era a busca pelo entretenimento proveniente do puro raciocínio lógico.
O fato é que Matsumoto e seus pupilos eram escravos da realidade. Soji Shimada, talvez de maneira inconsciente, queria romper esses grilhões. O gênero voltou a buscar na Era de Ouro e no honkaku inspiração para criar novos casos. Soji Shimada publicou novos romances e incentivou uma geração inteira de jovens autores, especialmente Yukito Ayatsuji e Takemaru Abiko. Essa revitalização do gênero fez com que diversos prêmios surgissem e um deles foi o Prêmio Mephisto, estabelecido regularmente em 1996.
Estou dando essa volta toda para poder citar brevemente justamente um dos primeiros vencedores do prêmio, o livro すべてがFになる, também chamado de The Perfect Insider, escrito pelo autor MORI Hiroshi. Não vou entrar em muitos detalhes, pois também pretendo analisar a adaptação para anime de 2015 algum dia. O que posso dizer é que esse romance inspirou um jovem escritor.
Seis anos depois o jovem escritor NisiOisin publicou o primeiro livro da série conhecida como Zaregoto (que significa algo como “sem sentido”) e esse livro ganhou justamente o prêmio Mephisto de 2002. A série conta com nove livros no total, além de material complementar. Três deles foram lançados em inglês.
A história recebeu uma adaptação para anime com apenas oito episódios, lançada em 2016 e terminando em 2017. Os episódios são relativamente curtos, mas devo dizer que demorei três dias para assistir tudo com calma. Acabei de ver ontem e até tinha escrito uma resenha, mas tive problemas com o site ontem (basicamente perdi todo meu texto, embora tivesse salvo justamente para evitar que isso acontecesse).
O anime inicia de forma bem estranha com um diálogo entre o narrador da história (chamado de Ii-chan ou similares) e uma personagem. Esses três primeiros minutos são essenciais para indicar ao telespectador o que ele está prestes a encarar na frente da TV: uma poluição visual e intelectual também. Os diálogos são densos e é normal ficar perdido. Foi por isso que tentei assistir em 2022 e não consegui. As cores são vibrantes e eu até gosto de ver uma explosão colorida na tela.
Só que tudo isso é proposital. Kubikiri Cycle foi concebido para ser estranho. É como se você estivesse em um sonho e essa sensação permanece com você em todos os momentos. Os personagens não parecem reais, os cenários não parecem reais, os diálogos não parecem reais. Tudo parece etéreo, de um jeito esquisito, com um grande mistério.
Ii-chan acompanha Kunagisa Tomo para a mansão localizada num lugar conhecido como “A Ilha das Penas Molhadas do Corvo”. Essa mansão pertence a Akagami Iria, herdeira do clã Akagami que foi exilada pela própria família e que convida gênios para passar algum tempo na ilha. O lugar possui alguns hóspedes além de Kunagisa: Sonoyama Akane, Ibuki Kanami, acompanhada por seu assistente Sasaki Shinya, Himena Maki, Sashirono Yayoi. É claro que existem pessoas que trabalham na mansão: Handa Rei, Chiga Teruko, Chiga Akari, Chiga Hikari (sim, as três Chiga são trigêmeas).
O início mostra as provocações de Sonoyama Akane e Ibuki Kanami, além das falas ácidas de Himena Maki. Um terremoto leve acontece, deixando os personagens levemente preocupados. O mistério começa quando o corpo de Ibuki Kanami é encontrado decapitado dentro de seu estúdio. A situação beira o impossível pois havia uma grande poça de várias tintas que caíram no chão por causa do terremoto e nenhuma pegada foi encontrada no lugar.
Os personagens começam a apresentar seus álibis, começam a discutir possibilidades e, no fim, tudo parece apontar para Sonoyama Akane, a única sem um álibi e que tinha motivos para matar Ibuki Kanami. Ii-chan acha estranho, porém, que a anfitriã decida não chamar a polícia e percebe que ninguém é realmente confiável. Akane é trancafiada em uma sala que só pode ser aberta com uma chave específica que fica em posse de uma das criadas e com um janelão que fica num lugar bastante alto (e que não poderia ser alcançado nem escalando a parede lisa e nem mesmo subindo em uma cadeira). Bem, eu não preciso dizer que o corpo dela é encontrado certa manhã da mesma forma que a vítima anterior: um mistério em sala trancada e uma decapitação.
As coisas vão ficando mais tensas, especialmente quando os computadores de Kunagisa Tomo são quebrados enquanto todos estavam prestes a se reunir para debater sobre o segundo crime. Nesse ponto da história já é possível deduzir quem é o culpado, embora algumas informações importantes sejam apresentadas para poder situar melhor quem assiste.
Sendo mais técnico na parte do mistério agora: NisiOisiN fez um bom trabalho em pegar coisas que são comuns da literatura policial tradicional e do honkaku, mas dando uma roupagem única. Eu sabia exatamente como o assassino tinha saído do segundo quarto assim que bati o olho no lugar, mas a forma como isso foi executado me deixou bem surpreso. O mais legal da história toda é que você tem crimes bastante intrincados e uma exposição dos fatos muito convincente, dando um soco no estômago de quem vê. Só que não é o suficiente. O oitavo episódio serve apenas para te dar um segundo soco sem dó.
Eu passei a semana toda falando sobre isso e torno a repetir: os japoneses são muito mais engenhosos que os ocidentais na construção de crimes impossíveis. Kubikiri Cycle prova isso com uma simplicidade muito interessante. Afirmo sem medo que você vai encontrar a solução do caso nas páginas do Locked Room Murders, guia de Robert Adey sobre mistérios em salas trancadas, mas afirmo que a maneira como esses métodos são apresentados possuem uma grande originalidade.
Vale a pena assistir o anime? Com certeza. Lembro, mais uma vez, que há um excesso de informações visuais e em diálogos, porém a exposição do crime é feita de uma forma muito sucinta e você não vai ficar perdido. Fica tranquilo.
Cheguei alguns blogs de mistério que falam sobre literatura policial japonesa e vi que muitos não recomendavam os livros para quem não tinha um bom domínio do japonês por causa da densidade dos diálogos. Eu pretendo, porém, pegar as versões em inglês para ler algum dia.
A ideia desse post é fazer algo similar ao que a Kate, do blog CrossExaminingCrime, postou horas atrás. Recomendo fortemente que acompanhem a lista dela também! Eu sou um leitor bem mais casual e minha lista será bem modesta, contando apenas com uns 10 livros. Ainda assim acho que será bem interessante compartilhar um pouco do que pretendo ler e reler em 2023. As sinopses são traduções livres do inglês.
Raul do futuro aparecendo nesse parágrafo para avisar que a lista teria sete livros. Eu estou ansioso para reler “O Mistério da Cruz Egípcia”, mas não coloquei na lista pois a capa final ainda não foi revelada e nem a data de lançamento pela Harper Collins e achei que ficaria feio falar sobre o livro sem ter mais detalhes.
A lista em si não terá uma ordem específica e vou citar uma data próxima de lançamento para quem ficar interessado também:
Livro 1: Death of an Author (1935), por E. C. R. Lorac
Editora: British Library Crime Classics
Data de Lançamento: 10 de Janeiro de 2023
Sinopse: Vivian Lestrange – autora celebrada do popular romance de mistério The Charterhouse Case e totalmente reclusa – aparentemente desapareceu da face da Terra. Dada como desaparecida por sua secretária Eleanor, quem o Inspetor Bond suspeita que seja a própria autora, tudo indicando que crime e assassinato estão em cena quando a governanta de Lestrange também desaparece.
Bond e Warner da Scotland Yard começam a trabalhar investigando um assassinato sem corpo e com uma vítima potencialmente fictícia, enquanto E. C. R. Lorac torce uma história torcida cheia de humor irônico e pistas falsas, brincando com os resenhistas da época que acreditavam que Lorac era o pseudônimo de um homem (pois uma mulher não poderia, aparentemente, ter escrito mistérios da forma como ela escrevia).
A sinopse dessa história atraiu a minha atenção pela similaridade, pelo menos no início de tudo, com o sumiço de Agatha Christie. Eu empurrei minhas leituras de E. C. R. Lorac o máximo que pude e agora realmente surgiu uma chance bem interessante de correr atrás do prejuízo. Talvez leia esse romance só na segunda metade do ano, mas confesso estar bem animado.
Livro 2: A Morte do Adivinho (1932), por Rudolph Fisher
Editora: Harper Collins Brasil
Data de Lançamento: 15 de Janeiro de 2023
Sinopse: O corpo de N’Gana Frimbo, peculiar adivinho do Harlem, é encontrado sem vida na sua sala de consulta. Para investigar o caso, não há ninguém melhor que Perry Dart, um dos mais famosos detetives da região, e o dr. Archer, o médico que mora do outro lado da rua. Os principais suspeitos são Bubber Brown e Jinx Jenkins, jovens que só querem fugir da mira da dupla. Agora, sua única saída se torna iniciar as próprias buscas paralelas, mas nem eles nem Dart e Archer esperavam o que viria a seguir.
Essa edição do Clube do Crime, coleção que resgata clássicos inéditos ou pouco conhecidos de suspense e mistério, traz uma obra originalmente publicada em 1932, inédita no Brasil, de um dos principais autores do Renascimento do Harlem, Rudolph Fisher. Com posfácio de Stefano Volp, essa é uma narrativa que mescla um suspense genial, misticismo e um humor satírico aguçado e resulta em reviravoltas imperdíveis para os amantes de mistério.
O Stefano Volp, em 2022, tentou publicar esse mesmo livro com um título diferente (A Morte do Mago). Eu apoiei a campanha e até fiz propaganda no perfil, mas a meta não foi atingida. Aparentemente a Harper correu atrás e decidiu publicar a história e achei muito interessante que eles tenham convidado o Stefano para escrever o posfácio. Esse é um dos livros que leremos em fevereiro no nosso grupo de leituras de literatura policial tradicional e foi um dos top 10 reimpressões de 2022. O hype certamente existe.
Livro 3: The Raven Thief (2023), por Gigi Pandian
Editora: Minotaur Books
Data de Lançamento: 21 de Março de 2023
Sinopse: O Secret Staircase Construction acabou de terminar seu primeiro projeto com Tempest Raj sendo oficialmente parte de uma equipe – a decoração do interior de uma casa baseada num romance clássico de mistério. A cliente deles está pronta para comemorar sua nova vida sem seu ex-marido infiel, o famoso autor de mistério Corbin Colt. Uma festa é marcada e Tempest e Vovô Ash são convidados para uma sessão espiritual de brincadeira com o objetivo de remover qualquer traço de Corbin da propriedade – para o bem. Tudo estava indo bem até que o corpo do próprio Corbin aparece na festa.
Os únicos suspeitos são as oito pessoas ao redor da mesa da sessão – um círculo de mãos dadas que não foi quebrado. A suspeita rapidamente cai sobre Vovô Ash por conta do sangue encontrado nele. Para provar a inocência do seu amado avô, Tempest deve descobrir o que realmente aconteceu – e como – ou Ash nunca mais cozinhará suas criações indianas e escocesas.
Um dos livros que quero ler ainda no início de 2023 é justamente o primeiro romance da série Secret Staircase, o Under Lock & Skeleton Door. Gigi Pandian é uma das grandes especialistas em mistérios em salas trancadas dos Estados Unidos e é sempre bom ver os mestres em ação. Eu sei que esse livro faz uma breve homenagem a um dos autores de literatura policial que mais gosto, então estou realmente ansioso para ver o trabalho dela aqui.
Livro 4: The Mill House Murders (1988), por Yukito Ayatsuji
Editora: Pushkin Vertigo
Data de Lançamento: 21 de Março de 2023
Sinopse:Como sempre fazem todos os anos, um pequeno grupo de conhecidos visita a remota Mansão do Moinho de Água, que parece um castelo e é o lar do recluso Fujinuma Kiichi, filho de um famoso artista, que viveu sua vida por trás de uma máscara de borracha após ter ficado desfigurado por causa de um acidente de carro.
Esse ano, porém, a visita é interrompida por um desaparecimento impossível, o roubo de uma pintura e uma série de assassinatos peculiares.
O brilhante Kiyoshi Shimada surge para investigar. Ele chegará à verdade sozinho ou você também consegue solucionar o mistério dos assassinatos da Mansão do Moinho?
Sou fã da Pushkin e desse esforço deles em trazer diversos romances considerados honkaku e shin honkaku. A primeira resenha de um livro nesse blog foi justamente de um livro deles. Eu já li The Decagon House Murders duas vezes, além de ter lido o mangá também. Kiyoshi Shimada é uma bela piada com Shimada Soji, autor que ajudou Ayatsuji no início de sua carreira. Ver a continuação dessa série me deixa realmente muito feliz e animado para que veja novos lançamentos da literatura policial japonesa em inglês.
Livro 5: The Devil’s Flute Murders (1954), por Seishi Yokomizo
Editora: Pushkin Vertigo
Data de Lançamento: 4 de Julho de 2023
Sinopse:Mistérios em salas trancadas estão em alta novamente, e esse clássico da Era de Ouro apresenta um mistério japonês atordoante do grande Seishi Yokomizo, cujo detetive fictício Kosuke Kindaichi é um fenômeno pop cultural que rivaliza com Sherlock Holmes.
Dessa vez o detetive amador Kosuke Kindaichi investiga uma série de assassinatos grotescos em uma família de um cismado e problemático compositor, cuja obra mais famosa dá calafrios àqueles que escutam.
Os leitores ficarão encantados com um dos jogos de raciocínio lógico mais engenhosos de Seishi Yokomizo, um onde todos parecem esconder algo.
Quando a Pushkin Vertigo lançou Death on Gokumon Island pensei comigo mesmo: “Hm, acho que eles não irão mais lançar mistérios de Seishi Yokomizo por um bom tempo”. Eu acreditava nisso pois os quatro livros lançados pela Pushkin eram os mesmos lançados pela editora Quaterni na Espanha. Ainda bem que eu estava errado e que eles anunciaram The Devil’s Flute Murders. Esse é um livro que demorou dois anos para ser totalmente apresentado ao público, sendo serializado na revista Hoseki entre novembro de 1951 e novembro de 1953 (coloquei 1954 pois foi o ano de lançamento da versão em livro). Fizemos um post sobre Yokomizo em 2022. Aliás, LEIAM SEISHI YOKOMIZO!!!!
Livro 6: The Murder Wheel (2023), por Tom Mead
Editora: Mysterious Press
Data de Lançamento: 11 de Julho de 2023
Sinopse: Em Londres, 1938, o jovem advogado idealista Edmund Ibbs está buscando qualquer pontinha de evidência que sua cliente, Carla Dean, não foi a responsável por atirar em seu marido no topo de uma roda gigante. O problema é que quanto mais ele busca, mais complexo o caso se torna e Edmund logo é arrastado para uma teia horripilante de conspiração e assassinato. Ele próprio acaba sendo implicado não em um, mas em dois crimes aparentemente impossíveis.
Primeiro, um corpo aparece do nada durante uma performance do famoso ilusionista “Professor Paolini” na frente de um auditório cheio no Teatro Pomegranate. Então a segunda vítima recebe um tiro num camarim trancado ao longo de um dos corredores sinuosos dos bastidores do teatro. Edmund está no lugar errado e na hora errada, atraindo a suspeita do inspetor da Scotland Yard George Flint. Sua sorte é que o ilusionista e detetive Joseph Spector está no local. Apenas a perspectiva lógica e única de Spector pode furar o véu de truques num mundo de ilusão e enganação, onde ver nem sempre é crer.
Eu conheci o Tom antes dele ser um escritor de mistério. Comprei Death and the Conjuror na pré-venda e é um livro que preciso terminar de ler o mais rápido possível! Ele, assim como Gigi Pandian, é um especialista em mistérios em salas trancadas e usa técnicas bem próprias para criar cenários muito inspirados por John Dickson Carr, Clayton Rawson e Ellery Queen. The Murder Wheel é um dos livros que mais estou esperando em 2023, sem sombra de dúvidas!
Quais os livros de mistério que você está ansioso para ler em 2023?
Estou escrevendo esse post enquanto estou editando os posts no Canva. Confesso estar passando por uns probleminhas para criar conteúdo para o perfil no Instagram pois percebi que é muito complicado falar sobre literatura policial tradicional fugindo dos temas e poucos autores que os brasileiros conhecem. Os posts com melhor desempenho vieram no fim de 2022 falando justamente sobre Agatha Christie, Sherlock Holmes ou noir. São temas legais, mas que já foram tão batidos e repetidos que me incomodam.
Criar posts para o Clube de Mistérios é fazer malabarismos com os conteúdos do gênero. Eu tenho que falar de um tema repetitivo pra introduzir algo inédito logo em seguida. Tentei fazer isso nos últimos meses de 2022 e pretendo fazer isso melhor em 2023. Mesmo que eu queira fugir de Agatha Christie ou Sherlock sei que vou ser perseguido pelos dois pois os leitores brasileiros são extremamente dependentes dos lançamentos editoriais e que ninguém está disposto a lançar autores pouco conhecidos. A Harper Collins foi a primeira editora a dar um passo diferente, mas são eles que produzem os livros da Agatha.
Percebi que o “Dica de Conto” nunca chamou a atenção do público. Mantive a estrutura por dois motivos: o primeiro é que o layout é simples de se fazer e o segundo motivo é que eu adoro os contos policiais. Só que vou precisar inovar para tentar atrair público, especialmente durante as sextas-feiras, um dos dias que mais recebe movimento no aplicativo. Foi pensando nisso que consegui criar alguns outros modelos de posts que serão postados uma vez por mês. É como se o “Dica de Conto” recebesse irmãos. Vamos falar um pouquinho sobre esses parentes.
O primeiro irmão que veio na minha mente foi o “Mistério & Cozinha”, um post temático que pretende unir culinária e mistério. Aqui vou falar um pouco sobre pratos que aparecem em livros de mistério e, quem sabe, apresentar algumas receitas. Agatha Christie e Rex Stout apresentam vários pratos em suas obras, salvando um pouco do meu trabalho (especialmente o Rex e seu livro de culinária com receitas que Nero Wolfe, seu detetive, gosta de comer). Vai ser interessante brincar com esse assunto.
Esse tipo de post já seria lançado em 2022, mas decidi guardar a ideia pois minha relação com a cozinha é problemática e eu queria experimentar as receitas antes de postar no Instagram. Agora vocês sabem que teremos doze posts (um por mês, obviamente) apresentando alguns pratos bem únicos da literatura policial.
Os outros dois posts temáticos ainda não estão com uma logo pronta, mas acho que dá pra falar sem grandes problemas. Pretendo apresentar o panteão de detetives da Era de Ouro da literatura policial. O principal requisito é ter aparecido em mais de uma história entre 1913 e 1945, além de outras coisinhas que não vou entrar em detalhes para não soar enfadonho. Quem é velho de guerra deve lembrar que eu fiz um “30 Detetives em 30 Dias” no início do perfil. A ideia é similar, mas aqui estou selecionando os melhores dos melhores desse período. Os posts terão uma vibe grega.
O último post temático é mais simples: fazer resenhas de livros. Muitos seguidores pedem para que eu compartilhe minha opinião sobre livros que li ao longo do ano e decidi fazer isso com mais regularidade. Os blogs no exterior fazem isso com muita frequência, especialmente os que acompanho. Vou lançar um outro post falando sobre os livros que mais estou aguardando em 2023, mas confesso logo que a maior parte dos livros que pretendo ler são livros estrangeiros. Existem alguns motivos para isso, mas não vale a pena falar sobre isso agora. Alguns livros serão resenhados, mas será a minoria. A ideia é falar sobre livros menos conhecidos de mistério mesmo.
Os mais espertos devem ter percebido que alguns meses terão uma quinta sexta-feira no ano. Quatro meses, sendo mais específico. Esses dias trarão pequenas entrevistas com alguns autores. Dois nacionais e dois internacionais. Só tenho uma dessas entrevistas marcadas, mas acho que não terei problemas em marcar as outras três. É isso.
2023 será um ano de muito trabalho, especialmente pela vontade de profissionalizar e ganhar dinheiro com o Clube de Mistérios. Os posts trarão mais assuntos conhecidos e desconhecidos sobre a literatura policial, além de mais reels e material mais interativo com vocês. Tenho planos para fazer alguns sorteios, mas não quero dar muitos detalhes ainda. Todos os outros tópicos foram abordados no nosso post de fim de ano lá no nosso perfil.
Existem diversas formas de conhecer e gostar da literatura policial. Alguns procuram estudar sobre as origens do gênero e entram em discussões acaloradas sobre histórias que antecederam Edgar Allan Poe em X anos. Outros tentam estabelecer o que realmente é literatura policial e o que não é literatura policial. É possível história sem crime ser chamada de literatura policial? O sobrenatural pode aparecer em histórias desse gênero? Otto Penzler fala, com certo humor, desses dois tipos de fãs do gênero em uma de suas antologias.
A minha atividade preferida em toda a literatura policial é pesquisar por autores que não conheço e que possuem um estilo um pouco parecido com o que gosto de ler. Foi assim que descobri sobre Ellery Queen, sobre John Dickson Carr e dezenas de outros autores do gênero. Essa atividade possui um gostinho ainda mais especial no Brasil pois dá uma sensação de estar descobrindo algo novo, da mesma forma que um arqueólogo a la Indiana Jones se sentiria ao descobrir uma relíquia antiga em um templo abandonado.
É óbvio que quando conhecemos novos rostos acabamos criando mais afinidade com alguns escritores. Foi exatamente isso que aconteceu comigo em 2022. Estou falando de Edward D. Hoch.
Hoch é, ou deveria ser, leitura obrigatória de todos os escritores de literatura policial que escrevem contos. O motivo é bem simples: ele detém o recorde de ter escrito “apenas” NOVECENTOS E CINQUENTA contos (variando entre diversos gêneros). Sabe o que é mais chocante? Ele apareceu em revistas de mistério brasileiras em mais de 100 ocasiões. Isso sem contar que ele venceu o Edgar Award em 1968 com The Oblong Room, ganhou dois prêmios Anthony (em 1998 e 2001), além de ter vencido o Grand Master Award e diversos outros prêmios do gênero. Como se isso tudo já não fosse o suficiente é preciso lembrar que Hoch teve histórias publicadas em TODAS as edições da EQMM entre 1973 e 2008 (e o recorde só foi quebrado pois Hoch faleceu no início daquele ano).
O mais impressionante disso tudo é que as histórias de Ed Hoch são boas! Tive a oportunidade de ler Diagnosis: Impossible – The Problems of Dr. Sam Hawthorne, lançado pela Crippen & Landru, e fiquei chocado como os contos são bem escritos e os personagens são carismáticos! Existem cerca de setenta contos com Sam e devo avisar que aqui há uma passagem de tempo lógica. Sam fica mais velho, relembra casos anteriores e personagens voltam a aparecer em suas histórias. Os casos investigados aqui são situações impossíveis que desafiam o raciocínio lógico. Estou agora mesmo me perguntando se Edward D. Hoch assistia Monk e o que ele achava da série, visto que o programa seguia uma linha similar.
É realmente assustador perceber que li cerca de 2% de tudo que ele produziu. Há ainda uns cinquenta contos com Sam Hawthorne para ler e existem inúmeros outros personagens criados por Ed Hoch para conhecer: Simon Ark, Nick Velvet, Leopold Way etc. Eu realmente acredito que todos nós somos um universo próprio, especialmente no campo das ideias. Edward D. Hoch não apenas era um universo único como mostrava estar em constante expansão, criando sempre métodos incríveis de mistérios em salas trancadas e de situações impossíveis. Acho até estranho que Hoch não seja apontado como uma espécie de sucessor de John Dickson Carr (no meu coração ele é, ok?).
Agradeço publicamente Art Taylor por ter citado Hoch em uma de suas palestras sobre a arte de escrever contos e também a Steve Steinbock, que foi muito atencioso em me mostrar parte do escritório de Ed Hoch, além de ter me incentivado a buscar mais sobre esse autor incrível. Sério, vai na Amazon e pega os livros dele que estão disponíveis no Kindle Unlimited. Pretendo, em outra oportunidade, criar uma linha do tempo com os contos de Sam Hawthorne e também com a ordem de lançamento de cada conto.
Caso você acompanhe nosso trabalho nas redes sociais saberá que eu fui uma das primeiras pessoas a falar de forma ativa sobre a literatura policial japonesa no Brasil. Minha situação é bem privilegiada pois tive contato com diversos escritores de lá, fazendo com que eu tenha uma visão um pouco mais ampla sobre como a literatura policial surgiu e se desenvolveu no Japão. É claro que existem leitores no exterior que conhecem o gênero num nível muito superior ao meu. Destaco aqui três blogs: o Solving The Mystery of Murder, o Beneath the Stains of Time e o Ho-Ling no Jikenbo. É sempre interessante passar por lá para aprender mais sobre literatura policial japonesa.
Bem, vou resumir a literatura policial japonesa para as pessoas que não conhecem (eu já fiz isso em um texto para o Literatura Policial). O gênero começa a se organizar por lá quando Edogawa Rampo começa a lançar as histórias do detetive Akechi Kogoro lá na década de 20. Os autores do período escreviam em um estilo conhecido até hoje como “honkaku”. Koga Saburo definiu esse estilo como “uma história de detetive que valoriza o entretenimento derivado do puro raciocínio lógico” e o entendimento é que histórias ocidentais também podem ser encaixadas nesse estilo, como os livros de Agatha Christie ou John Dickson Carr.
O período após a Segunda Guerra trouxe uma nova leva de escritores de mistério com objetivos diferentes desses autores honkaku. As histórias deixaram de ser mistérios intrincados e passaram a focar mais nos personagens e em denunciar problemas da sociedade japonesa. Esse estilo foi encabeçado por Matsumoto Seicho e durou cerca de 30 anos. Isso mudou quando a nova leva de escritores dos anos 80 voltou a criar mistérios intrincados inspirados por autores como S. S. Van Dine e Ellery Queen, guiados por Shimada Soji. Esse novo estilo foi chamado de “shin honkaku” (novo ortodoxo).
Takagi Akimitsu foi um dos escritores que surgiu logo após o fim da Segunda Guerra Mundial e The Tattoo Murder foi seu primeiro romance, publicado lá em 1948 (o título original é 刺青殺人事件, lido como “shisei satsujin jiken”. O livro foi traduzido em 1998 para o inglês por Deborah Boehm e recebeu uma edição em 2022 pela Pushkin Vertigo. Recebi uma cópia da editora que ganhei em um giveaway, embora já tivesse uma edição da Soho Crime aqui na minha coleção.
A história do livro começa introduzindo o estranho professor Hayakawa, um acadêmico fissurado por tatuagens, e Nomura Kinue, uma mulher com uma tatuagem enorme de Orochimaru em suas costas. O diálogo dos dois dá a entender que ela tinha uma irmã que morreu na queda da bomba atômica em Hiroshima e um irmão enviado para as Filipinas em 1943. Os três irmãos possuem tatuagens exóticas nas costas. A narrativa apresenta outros personagens com extremo cuidado, preparando o terreno para o crime bizarro.
Matsushita Kenzo, um jovem médico que acabou envolvido com Nomura Kinue, e o professor Hayakawa acabam sendo levados à casa de Kinue, apenas para encontrar os membros e a cabeça da jovem em uma banheira que transbordava trancados pelo lado de dentro do banheiro da casa. Uma investigação apurada é realizada para tentar descobrir o culpado desse caso, mas a polícia é completamente enganada. É aí que surge o detetive amador Kamizu Kyosuke, colega de Kenzo, e soluciona o mistério sem grandes preocupações.
Eu elogiei várias vezes a forma como Takagi Akimitsu escreveu o livro, optando por criar capítulos curtos. Estou escrevendo o meu romance e o estilo dele abriu a minha mente de uma forma bem interessante. Não posso dizer, porém, que o caso é extremamente complexo. Antes do crime acontecer eu já sabia exatamente quem era o culpado e o truque que seria utilizado para gerar o álibi e voltei minhas expectativas para a solução do mistério do banheiro trancado por dentro. E, mais uma vez, foi frustrante.
Aviso logo que tendo a não gostar de soluções mecânicas, seja para assassinar a vítima, seja para gerar a sala trancada por dentro. É um mundo vasto, confesso, mas torço o nariz para soluções desse tipo por serem específicas demais e não acho que todas funcionariam na vida real. A solução desse caso usa justamente essa ideia e por isso não gostei tanto. Outra coisa estranha é o fato de Kyosuke apegar-se demais às impressões que ele obtém de personagens a partir de partidas de go ou xadrez. Não faz muito sentido. Um último ponto que gostaria de destacar relacionado à história sem entrar em muitos detalhes: existem várias regras secretas na literatura policial tradicional. Esse livro foi construído em cima de uma dessas regras.
Uma única crítica que faço à tradução é ao fato da Deborah ter escrito, de forma errada, Tsunadehime como “Tsunedahime”. É perdoável em 1998, mas é estranho que a Soho Crime e a Pushkin Vertigo tenham deixado esses erros nas edições posteriores, especialmente hoje em dia que temos o anime Naruto com menções a Tsunade, Jiraiya e Orochimaru com certa frequência.
Isso não significa que o livro é ruim. Alguém que não está acostumado com a tal “regra secreta” usada no livro provavelmente gostará bastante. Os personagens são ótimos, as descrições físicas e dos cenários são incrivelmente vívidas! Foi uma leitura muito agradável mesmo sabendo exatamente o que aconteceria no livro. Pretendo ler os outros dois livros de Takagi Akimitsu lançados em inglês, embora saiba que Kamizu Kyosuke não aparecerá nas histórias (o “detetive” é o promotor Kirishima Saburo) e que foram lançadas durante os anos 60, ápice da escola social.
Eu consigo citar cerca de vinte ou trinta filmes baseados em livros de mistério que foram lançados durante os anos 30 e 40 do século passado. É óbvio que esse tipo de filme passou a ser menos frequente com o tempo, especialmente quando os figurões do cinema entenderam que ninguém aguenta ver explicações longas sobre como é possível trancar salas por fora usando fios e alfinetes. O povo queria ver ação. Tiro, porradaria e muita explosão. Isso mudou um pouquinho com a chegada da adaptação de 2017 de “Assassinato no Expresso do Oriente” com Kenneth Branagh no papel de Hercule Poirot. O filme foi massacrado por fãs de Agatha Christie, mas é inegável que abriu espaço para que filmes com estilo parecido pudessem ser lançados. Acontece que dois anos depois é lançado Knives Out, lançado no Brasil como “Entre Facas e Segredos”.
Knives Out é um filme de mistério que usa muitos elementos dos mistérios tradicionais: a casa afastada dos grandes centros urbanos, os tons escuros, o uso de cravo e violinos, o escritor peculiar, as intrigas familiares etc. Rian Johnson é fã de mistérios tradicionais e até mesmo chegou a comentar sobre alguns escritores do gênero pelo Twitter, sendo possível citar sua predileção pelos títulos de capítulos de John Dickson Carr. Tudo isso com uma roupagem moderna e com críticas bastante contundentes que continuam valendo mesmo hoje em dia. O filme, obviamente, foi um sucesso entre a crítica e entre espectadores como mostra a classificação no Rotten Tomatoes. Eu não pretendo discutir muito sobre o filme, embora deixe explícito que é um ótimo filme.
O sucesso do filme fez com que todos aguardassem uma continuação e é óbvio que ela veio! Glass Onion foi lançado em alguns cinemas em 23 de novembro de 2022 e em 23 de dezembro de 2022 para a Netflix. Daniel Craig retorna ao papel do detetive Benoit Blanc, dessa vez sendo arrastado para a Grécia com um grupo bem mais diverso que a família Thrombey de Knives Out. O elenco conta com atores bem interessantes: Madelyn Cline, Kate Hudson, Jessica Henwick, Edward Norton, Kathryn Hahn, Janelle Monáe, Leslie Odom Jr. e Dave Bautista. O próprio Rian Johnson confirmou que boa parte da inspiração para o filme veio de outro filme do gênero, o The Last of Sheila.
Os dois filmes da série possuem um foco muito forte em “whodunit”, ou “quem matou?”, mas Knives Out focava muito em “como matou” (tanto que a discussão principal entre a polícia e Benoit Blanc era se Harlan Thrombey tinha sido assassinado ou cometido suicídio). Glass Onion toma um caminho diferente e explora muito mais os personagens, afastando o “como matou?” e dando espaço para o “por que matou?”. A relação entre os personagens e o que levou Benoit Blanc àquela ilha no meio do Mar Egeu são elementos importantíssimos do mistério. As pistas são plantadas com extremo cuidado, mas tudo está lá.
Benoit Blanc está MUITO mais interessante nesse filme. Confesso que ainda é estranho ver Daniel Craig interpretando um personagem cerebral e menos porradeiro que James Bond, mas a atuação dele nesse filme é muito boa. Até existe o clássico “ah, você que resolveu o caso X?”, mas gostei de não terem citado diretamente o caso de Knives Out, indicando que o Benoit é uma figura que soluciona diversos casos e que dá margem para que Rian Johnson explore isso em outros materiais.
Vou ser sincero: eu ainda prefiro Knives Out. Os entusiastas da Era de Ouro também. Só que Glass Onion não é um filme ruim. Longe disso. É um colírio para os olhos de quem adora consumir Agatha Christie e outros autores tradicionais que foram esquecidos no Brasil. Esse foi o terceiro whodunit com um estilo mais tradicional sendo lançado em 2022, junto com Death on the Nile e See How They Run. Tudo indica que um terceiro filme com Benoit Blanc será lançado. Os rumores apontam que ele já estava trabalhando na continuação enquanto o segundo filme era gravado. Recentemente ele fez um tweet indicando que estava lendo John Dickson Carr, então é possível que vejamos algo baseado nas obras do Maestro em um futuro filme.
Eu sempre comecei as coisas na impulsividade. O Clube de Mistérios também nasceu assim. Esse blog e esse post estão surgindo em mais um momento desses. Não posso pensar muito para lançar as coisas senão acabo nunca terminando pois quero tudo funcionando de maneira impecável.
Bem, esse espaço já era idealizado na minha mente há algum tempo, especialmente quando percebi que os blogs são extremamente populares entre leitores de literatura policial tradicional. Posso citar diversos que acompanho e que me inspiram, de certa forma a estar aqui também. Esse espaço é extremamente importante pois tenho mais liberdade para elaborar posts que costumo fazer e também posso fazer resenhas com um pouco mais de paciência.
Eu ainda sou um iniciante no WordPress mesmo conhecendo um pouco sobre HTML e CSS. Peço um pouquinho de compreensão, principalmente com o fluxo de postagens. Devo comentar bastante sobre contos policiais, mas não esperem muitas resenhas de romances pois leio de forma muuuuuuuuuito arrastada. Espero que aproveitem esse espaço pra conhecer autores pouco conhecidos desse gênero que amo tanto.
Um passo que preciso dar é escrever mais em inglês para alcançar um público que não vive no Brasil e não fala português. A ideia é seguir um passo similar ao que é feito por Escribano: criar posts bilíngues. Apesar de ter recebido elogios de pessoas ligadas à literatura policial no exterior ainda não sinto segurança no meu inglês (e, sendo sincero, nem mesmo no meu português). Espero que as atividades do blog sirvam pra me destravar um pouco nesse lado também.